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Acolhimento e solidariedade: a história de Dona Elisa em Morro da Fumaça

Acolhimento e solidariedade: a história de Dona Elisa em Morro da Fumaça
Gabriela Recco

Quando veio morar com os pais em Morro da Fumaça, ainda pequenina, a senhora Elisa Rosa de Souza, hoje no auge dos seus 87 anos, não imaginava o quanto aqui seria tão bem acolhida. Aqui ela cresceu e construiu uma grande família. Da sua união com o senhor Paulo Virgilio de Souza eles tiveram 15 filhos. “Já morei em Estação Cocal e no centro. E depois que viemos para o bairro Esperança não me mudei mais”.

E desde que chegou no Bairro Esperança, há muitos anos, Dona Elisa contou com a ajuda de um casal para comprar o terreno e começar a sua história na comunidade. “Quem comprou o terreno para nós foi o seu Haroldo Mendes e a dona Maria, e pagávamos para eles em prestação. Todo mês nós pagávamos certinho. Fizemos uma casinha pequena. Nós éramos muito pobres, mas muito mesmo, nem conseguimos terminar a nossa morada”, conta dona Elisa.

Hoje viúva, ela recorda das dificuldades do início da vida no município. “Trabalhei muito tempo na Escola Profissional com a dona Vanolda Espindola, trabalhei em olaria, lavava roupa para a casa de turma e para algumas senhoras. E lavava ali no rio Linha Torrens no centro”, relembra.

“A minha vida foi muito triste. Para adquirir o pãozinho que ganho hoje eu me matei a trabalhar, inclusive, para pagar o INSS e conseguir a aposentadoria. A saúde já não me ajudava mais”.

Um certo dia o marido decidiu vender a casa porque queria se mudar para Criciúma, mas dona Elisa com ajuda dos amigos do bairro deu um jeito nesta história. “O Paulo bebia muito, era muito danado. E eu não queria ir morar lá”. Na verdade, o que dona Elisa realmente não queria era sair de Morro da Fumaça.

Foi então que alguns moradores conseguiram resolver o problema. A casa onde moravam foi trocada por outra no mesmo bairro. “Eu fazia mais gosto de trocar a casa por outra, que fosse com cercado e água encanada. E isso tudo aconteceu sem o Paulo saber que por traz, já tínhamos todos combinados”. “Neste dia eu não conseguia nem colocar o pé no chão de contente que estava. Quando o negócio fechou parece que fui ao céu e voltei. Eu disse: amém Jesus! Logo fizemos a mudança”.

Conhecida por todos do bairro, dona Elisa tem um carinho enorme pelos amigos que aqui ganhou. “São vizinhos de ouro. Me dou bem com todo mundo”, coloca feliz da vida.

Os anos passaram e dona Elisa criou os filhos, netos, bisnetos e tataranetos no bairro Esperança. A casa de madeira já não existe mais. E hoje, no mesmo local, outra casa foi construída. E aí vem outra parte da história da dona Elisa sobre solidariedade. “Era uma casa simples de madeira e estava caindo”. Mais uma vez os amigos do bairro e lideranças da comunidade fumacense se uniram e começaram uma campanha para construir uma nova casa.

“Eu lembro quando vieram aqui na minha casa conversar, era uma mulherada. Elas me avisaram que teria uma reunião muito grande sobre a construção. Era uma reunião para saber se eu tinha muito voto para ganhar a nova casa. E eu tive”, relembra emocionada dona Elisa.

E assim, Dona Elisa guarda com carinho e uma enorme gratidão a todos que já a ajudaram nesta cidade de um povo acolhedor e solidário. “Eu gosto de Morro da Fumaça, porque criei toda a minha família aqui. É um lugar que ajuda a gente. Pensa que não tem muita gente que ajuda eu?! Tem sim! Até hoje! Para mim não tem ninguém ruim. Só saio daqui quando eu me despedir da terra”, conta com os olhos cheios de lágrimas.

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