ASSESSORIA UNESC
Evento destaca papel das universidades na produção de conhecimento e transformação social diante das mudanças climáticas.
A 21ª Semana de Meio Ambiente e Valores Humanos da Unesc foi iniciada nesta segunda-feira (1º/6) com uma proposta que vai além das publicações tradicionais sobre emergências climáticas. O evento, que tem como tema central os extremos climáticos, busca reflexões sobre conhecimento e práticas sustentáveis.
A abertura oficial contornou a palestra “Gestão Ambiental em Campi Universitários frente às Mudanças Climáticas”, ministrada pelo professor Paulo Horta, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que abordou a necessidade urgente de adoção de medidas de prevenção, mitigação e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas no ambiente universitário.
Campus como espaço formativo integral
A professora Graziela Giacomazzo, pró-reitora de Ensino, representando a reitoria, destacou o caráter interdisciplinar e transformador do evento. “Esta semana representa um movimento de continuidade, de resistência e de persistência em uma temática que nos convoca pela sua complexidade. Por si só, ela é interdisciplinar”, complementou.
Para Graziela, a formação universitária deve transcender os limites da sala de aula. “Queremos que o campus, em suas diferentes dimensões, seja também um espaço formativo para a comunidade acadêmica e para a comunidade em geral”, explicou, enfatizando que “não basta trabalharmos apenas na perspectiva dos cursos ou da teoria. Desejamos que o campus reflita essa preocupação e essa responsabilidade com a questão ambiental”.
Mudanças climáticas no cotidiano universitário
O professor Carlyle Torres Bezerra de Menezes, presidente da Comissão Permanente de Ambiente e Valores Humanos da Unesc, destacou durante a abertura que a escolha temática reflete uma realidade cada vez mais presente. “As mudanças climáticas estão aí, evidenciando a necessidade de buscarmos modelos sustentáveis de desenvolvimento. São discussões que deixaram de ser distantes e passaram a fazer parte do nosso cotidiano”, afirmou.
Para Carlyle, a Universidade tem um papel fundamental neste contexto. “A academia assume um papel essencial como espaço de produção de conhecimento e transformação social”, ressaltou, destacando que a programação do evento inclui uma retomada de discussões sobre o Programa de Educação e Gestão Ambiental (PEGA). “Estamos buscando resgatar fóruns e, principalmente, um programa que muitos conheceram há algum tempo: o PEGA, que discutiremos amanhã”, explicou.
Compromisso histórico com a sustentabilidade
O ex-reitor e atual assessor de reitoria, Edson Carlos Rodrigues lembrou que a preocupação ambiental está na essência da Unesc desde sua fundação. “A Universidade nasceu com uma missão muito clara: promover a qualidade e a sustentabilidade do ambiente de vida. Foi isso que nos moveu e nos trouxe até aqui”, destacou.
Diante dos desafios atuais, Rodrigues enfatizou a necessidade de fortalecer esse compromisso institucional. “Todos que estão aqui têm um compromisso de revitalizar essa missão. Hoje ela é ainda mais necessária diante da realidade que vivemos”, afirmou, acrescentando que “as emergências climáticas desafiam nossa capacidade intelectual, moral e nosso compromisso político para encaminhar essas questões”.
Para a diretora de atenção ao estudante, Miquele Lazarin Padula, é de grande importância o envolvimento da comunidade acadêmica nas discussões. “Este é um espaço de diálogo e construção coletiva sobre melhorias no campus. É muito significativo ver tantas pessoas interessadas em debater sustentabilidade e pensar no que podemos fazer para melhorar as nossas condições aqui no campus”, destacou Miquele.
Urgência de transformações para enfrentar mudanças climáticas
O pesquisador convidado para a palestra de abertura, professor Paulo Horta, já realizou expedições a regiões extremas do planeta, incluindo o Círculo Polar Ártico e a Antártica, compartilhando parte destas experiências com os presentes.
“Nesses últimos 30 anos, eu saí da Universidade de São Paulo, andei muito, tive a oportunidade, como biólogo e como ecólogo marinho, de conhecer, por exemplo o Círculo Polar Ártico. O que acontece nessas regiões extremas não fica lá. O que eu trago para vocês é um pouco dessa reflexão, porque conhecer esses lugares nos ajuda a entender o que está acontecendo com o nosso planeta”, observou.
Em sua apresentação, o biólogo convidou o público a refletir sobre a história evolutiva da Terra, desde os primórdios da vida até os desafios climáticos contemporâneos. Ele destacou como organismos microscópicos foram fundamentais para criar as condições que permitam a vida atual e ressaltou a importância da relação histórica entre povos originários e o ambiente natural.
O pesquisador também apresentou dados sobre o aquecimento global e suas consequências, alertando para a aceleração das mudanças climáticas observadas nas últimas décadas. “Nós estamos batendo recorde em cima de recorde. A temperatura não para de subir no oceano, nos continentes, em todo o planeta”, afirmou, destacando a necessidade urgente de transformações para enfrentar esses desafios.
Programação ao longo de três dias.
O primeiro momento da programação da Semana especial foi realizado na tarde desta segunda-feira, no Auditório Ruy Hülse, com a palestra Reciclagem e Economia Circular com o convidado Elias Caetano.
Nesta terça-feira (2/6) a discussão se volta ao assunto no Fórum Gestão e Educação Ambiental na Unesc. A atividade ocorrerá a partir das 14h no Auditório Edson Rodrigues.
Já no último dia, na quarta-feira (3/4), a Semana de Meio Ambiente e Valores Humanos da Unesc contará com Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) e Orientação sobre uso racional e descarte de medicamentos, por meio da Farmácia Solidária.
A ação aberta ao público será realizada a partir das 15h até às 18h30, no hall do Bloco 21.
Neste dois dias o Museu de Zoologia Morgana Cirimbelli Gaidzinski, também dentro da programação, oferece visitação com atividades voltadas à educação ambiental, conscientização ecológica e valorização da biodiversidade.
As visitas ocorrerão no campus, no Parque Cincinato Naspolini e na Grutas Nossa Senhora de Lourdes.