Assessoria de Comunicação Unesc
Evento conduzido pela Lacam/Unesc reuniu especialistas, gestores e pacientes em Criciúma nesse final de semana.
A cannabis medicinal entra no centro do debate científico e Extremo Sul de Santa Catarina com a realização do 1º Simpósio de Cannabis Medicinal, nesse final de semana, sexta-feira e sábado (13 e 14/3), no Centro de Inovação Criciúma (CRIO). A iniciativa da Liga Acadêmica de Cannabis Medicinal (Lacam) da Unesc mobilizou profissionais da saúde, pesquisadores, gestores públicos, estudantes e comunidade.
O encontro propôs um espaço estruturado de diálogo qualificado sobre usos terapêuticos, evidências científicas, marcos regulatórios e políticas públicas de acesso. A programação, com lotação máxima, foi composta por mesas-redondas, painéis técnicos e relatos de pacientes, que compõem um panorama que dialoga com pesquisa, prática clínica e gestão.
Na abertura do evento, após a troca de experiências de pacientes e familiares, a coordenadora da Lacam e organizadora do simpósio, Flávia Rigo, destacou que é justamente por causa de relatos como os feitos no evento que a luta pela causa vale a pena. “É pela defesa da qualidade de vida dessas pessoas que estamos aqui hoje. Fico muito feliz de estarmos discutindo esse tema de forma tão qualificada aqui na nossa cidade. As experiências compartilhadas hoje, de mudanças de vida, de esperança de uma vida melhor, fazem a gente aumentar também as nossas esperanças e seguir na busca por mais pesquisa para que possamos provar tudo isso que estamos vendo na prática. Nossa defesa pela ciência é para que possamos seguir avançando e colocando esse conhecimento em artigos científicos para evoluir, facilitar prescritores, trazer segurança e desfazer todo o preconceito que existe”, destacou a professora.
Representando a reitoria da Unesc, a pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação, Inovação e Extensão da Unesc, Vanessa Moraes de Andrade enalteceu a iniciativa da Liga Acadêmica e o empenho da colega Flávia, destacando a importância do debate científico em torno do assunto.
“Temáticas como essa precisam ser debatidas no nível que esse evento foi organizado com pesquisadores, com professores, pessoas que estão vivendo a ciência e que estão com isso construindo as evidências que são fundamentais para que as políticas públicas possam ser implementadas. Ficamos muito felizes em vermos pesquisadores da nossa Universidade com esse protagonismo. Sabemos que a pesquisa se faz assim, com base sólida, e é isso que teremos aqui neste dois dias”, enalteceu Vanessa.
Para o presidente da Liga, o Simpósio é como um grande divisor de águas na discussão do uso da Cannabis medicinal em Criciúma e região. “Nós somos uma Liga jovem e este, com certeza, é o nosso maior evento que reúne um grande público. Sabemos o quanto estes momentos são importantes, especialmente quanto à discussão de políticas públicas para acesso a medicamentos”, pontuou o estudante de Medicina.
Rede institucional sustenta credibilidade
O simpósio contou com apoio da Unesc, do Conselho Regional de Farmácia de Santa Catarina (CRF/SC), da Associação Catarinense de Plantas Medicinais (ACPM) e do Laboratório de Plantas Medicinais da Unesc (Laplam).
“Quando Universidade, entidades científicas e conselhos profissionais se somam, o resultado é um ambiente mais consistente de troca de conhecimento e de construção de indicadores para políticas públicas”, observa Flávia.
A programação do primeiro dia concentrou mesas com pacientes e autoridades, com foco em experiências de uso terapêutico e no cenário regulatório municipal. Um dos eixos recorrentes envolve a legislação local e os desafios de implementação de políticas de acesso.
“Existe uma demanda concreta da sociedade e do sistema de saúde. Discutir políticas públicas com base em ciência e em dados observados na prática clínica é parte da responsabilidade social da universidade”, diz a coordenadora.
Programação articula clínica, regulação e pesquisa
Na sexta-feira, a agenda iniciou à noite com apresentação da Lacam e mesa-redonda com pacientes e relatos de casos. Na sequência, o debate abordou cannabis medicinal e políticas públicas, com participação de representantes acadêmicos e gestores.
Entre os convidados estiveram a vereadora de Criciúma, Giovana Mondardo, os deputados estaduais Ana Paula da Silva e Marcos José de Abreu e a representante do Município, Mariana Darolt Correa.
Já neste sábado, a programação percorreu temas como sistema endocanabinoide, formas farmacêuticas, controle de qualidade, normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), epilepsia, doenças neurodegenerativas, dor crônica, medicina esportiva, ansiedade, depressão e transtorno do espectro autista. O conjunto de conteúdos permitiu dimensionar o estado atual do conhecimento e a volatilidade regulatória do setor.
O público-alvo incluiu profissionais de saúde de diferentes áreas, pesquisadores, acadêmicos de graduação e pós-graduação, gestores públicos, lideranças políticas, pacientes e familiares. A proposta sustenta um modelo de debate descentralizado e multidisciplinar. “Fortalecer uma agenda permanente de discussão qualificada sobre cannabis medicinal é parte do papel da Universidade perante o território”, pontua Flávia Rigo.
Impressões
Farmacêutico que atua na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Centro de Criciúma, Daniel Calegari Calegari participou dos dois dias do simpósio e destacou a importância do evento para ampliar o debate e reduzir preconceitos.
Para ele, um dos aspectos mais marcantes foi a possibilidade de ouvir relatos de famílias que convivem diretamente com os tratamentos e pesquisas apresentadas no encontro. “Foi uma impressão muito boa. Estamos quebrando barreiras e estigmas que existiam. Ainda há muito preconceito, então esse debate é importante”, afirmou.
Ele contou que o primeiro dia do evento foi especialmente emocionante. “Os depoimentos das mães e dos pacientes realmente me emocionaram. Ver os resultados positivos desses estudos e ouvir essas histórias nos toca”, relatou.
Para o farmacêutico, as pesquisas desenvolvidas por professores e pesquisadores envolvidos no tema apontam um caminho promissor para os próximos anos. “Existe muito conhecimento sendo produzido. O trabalho da professora Flávia, da professora Patrícia e de todos os envolvidos mostra que o caminho está se abrindo. A expectativa é muito positiva”, avaliou.
“Acredito que o avanço das pesquisas tende a gerar novos resultados e ampliar as possibilidades de tratamento. Agora a expectativa é que os estudos avancem cada vez mais e que os resultados continuem melhorando”, concluiu.


