ASSESSORIA UNESC
As oficinas têm se consolidado como o principal espaço de construção dessa proposta.
Os municípios da região Carbonífera de Santa Catarina estão unidos em uma iniciativa que busca transformar a forma como os serviços acolhem e atendem mulheres em situação de violência. A ação é conduzida pela acadêmica do mestrado profissional em saúde coletiva, Patricia Maia, e a orientadora professora doutora Vanessa Miranda, em parceria com o Grupo de Pesquisa Violência, Desigualdade e Saúde (ViDaS), e tem mobilizado profissionais de diferentes municípios para a construção coletiva de uma linha de cuidado voltada à atenção integral dessas mulheres.
A violência contra a mulher é reconhecida como um fenômeno complexo e multicausal, que demanda respostas articuladas e intersetoriais. A Organização Mundial da Saúde classifica essa violência como um grave problema de saúde pública, devido aos seus impactos na saúde física e mental das vítimas. No Brasil, a Lei Maria da Penha representa um marco no enfrentamento da violência doméstica, ao reforçar a importância da atuação em rede para proteção das mulheres.
É nesse cenário que o projeto de mestrado ganha relevância. A proposta é construir, junto aos municípios da região Carbonífera que aderiram à iniciativa, um fluxo organizado de atendimento e encaminhamento para mulheres em situação de violência, considerando as especificidades de cada território. Cada município participante indicou profissionais da rede intersetorial para integrar o processo, fortalecendo o vínculo entre gestão e prática assistencial.
“As oficinas têm sido o principal espaço de construção dessa proposta. Com abordagem teórica, metodológica e participativa, os encontros promovem discussões sobre conceitos de violência de gênero, análise de documentos legais e troca de experiências entre os profissionais. A escuta qualificada e a análise territorial permitem identificar desafios e potencialidades locais, fundamentais para a organização de um cuidado mais efetivo”, conta Vanessa.
Como funciona
Durante as atividades, os participantes irão mapear os pontos de atenção e elaborar um pré-fluxo municipal individual de atendimento, definindo responsabilidades e fortalecendo a articulação entre serviços como saúde, assistência social e segurança pública. A construção conjunta busca evitar fragmentações no atendimento e garantir maior resolutividade nos casos.
Segundo Vanessa, o diferencial está justamente no processo participativo. “A linha de cuidado está sendo construída com base na realidade dos municípios, valorizando o conhecimento dos profissionais que atuam diretamente nos serviços e enfrentam, no cotidiano, as dificuldades desse atendimento”, destaca.
A mestranda destacou a relevância do processo coletivo vivenciado durante as oficinas, enfatizando o quanto a troca entre os profissionais dos diferentes municípios tem contribuído para ampliar a compreensão sobre a temática.
“Oferecer essas oficinas tem sido uma experiência muito rica, porque conseguimos ouvir realidades distintas, identificar desafios comuns e, principalmente, pensar juntos em soluções que façam sentido para os nossos territórios. Essa troca entre os profissionais fortalece a rede e nos ajuda a enxergar o cuidado de forma mais integrada”, comentou ela.
Patricia também ressaltou a importância da iniciativa para sua formação no mestrado, ao possibilitar a articulação entre teoria e prática. “Ter a oportunidade de desenvolver essa proposta dentro do meu mestrado é muito relevante. Estamos contribuindo diretamente para a construção de uma linha de cuidado que pode qualificar o atendimento às mulheres na região. Isso dá um sentido ainda maior à pesquisa, porque ela se conecta com a realidade e com as necessidades dos serviços”, explicou.
A mestranda enfatizou ainda que a experiência tem potencial para gerar impactos concretos tanto na formação acadêmica quanto na organização da rede de atenção, evidenciando o papel do mestrado profissional na transformação das práticas em saúde.
Entre os principais resultados esperados estão o fortalecimento da rede de proteção, a qualificação do atendimento e a redução da revitimização das mulheres. A iniciativa também pretende promover respostas mais rápidas, integradas e humanizadas, garantindo maior segurança e acolhimento às vítimas.