GABRIELA RECCO
O interrompimento de abastecimento de água registrada nesta quinta e sexta-feira (29 e 30), em Morro da Fumaça, causada em razão dos serviços de interligação da nova rede que acontecem na obra localizada às margens da Rodovia Fortunato Salvan, no bairro Naspolini, pegou muitos moradores de surpresa.
Torneiras secas, rotina alterada e a sensação de dependência total do sistema público reacenderam uma pergunta importante: o que dá para fazer quando a água simplesmente não chega?
Enquanto boa parte da cidade enfrenta dificuldades, um morador conseguiu atravessar o dia com mais tranquilidade graças a uma decisão tomada anos atrás. O exemplo vem do educador físico, Diego Esmeraldino, morador do bairro De Costa, que decidiu investir na captação de água da chuva ainda em 2014, quando a falta de água na cidade era recorrente, diferente dos dias atuais.
A ideia surgiu por necessidade. Após a desativação do poço artesiano que abastecia a casa e a empresa da família, a conta de água passou a pesar no orçamento. “Na época, percebemos que o custo seria muito alto. Foi aí que tive a ideia de captar a água da chuva para diminuir os gastos”, relata Diego.
Desde então, o sistema passou a fazer parte da rotina da família. “A água captada é usada para lavar calçadas, carros, roupas, molhar plantas e manter a área externa. O resultado aparece não só na economia, mas também na autonomia. Hoje, pagamos basicamente a taxa mínima de consumo”, conta.
“O sistema funciona de forma simples. A água da chuva é coletada pelas calhas do telhado e direcionada por canos até três bombonas recicláveis de mil litros cada, totalizando três mil litros de armazenamento. As caixas são interligadas e contam com um sistema de drenagem para evitar transbordamentos em dias de chuva intensa”, explica o educador físico.
Ele destaca que a reserva é suficiente para suprir as atividades externas da casa por cerca de um mês, mesmo em períodos sem abastecimento. “A água não é utilizada para consumo humano, como banho ou cozinha, mas poderia ser adaptada para isso com a instalação de uma bomba ligada à caixa d’água da residência”, pontua Diego.
A implantação contou com o auxílio de um encanador para garantir as conexões corretas e a segurança do sistema. O investimento, feito com bombonas reutilizadas, ficou em torno de R$ 1 mil, valor considerado acessível quando comparado ao custo de caixas d’água convencionais. “É um investimento que já se pagou há muito tempo”, afirma Diego.
A manutenção também é simples. A cada 15 dias, é feita a limpeza preventiva com a adição de cloro na água armazenada, evitando a proliferação de mosquitos e outros riscos à saúde. Mais do que uma solução emergencial, a captação de água da chuva virou um hábito permanente para a família. Em dias como o de hoje, quando o abastecimento falha, o sistema mostra que pequenas iniciativas individuais podem fazer grande diferença.
A situação vivida pela cidade é um alerta, mas também mostra que pequenas atitudes podem fazer diferença, muitas delas começam dentro de casa.
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