GABRIELA RECCO
Os dados levantados em 2025 pelo Conselho Tutelar de Morro da Fumaça acendem um alerta para a violência que atinge crianças e adolescentes no município. Conforme levantamento apresentado pela conselheira tutelar Grazieli Sartor, os casos de agressão física e verbal seguem liderando as demandas atendidas pelo órgão ao longo do ano.
De acordo com o Conselho, esse tipo de violência aparece com maior frequência por ser mais facilmente identificado e por representar riscos diretos ao desenvolvimento físico, emocional e à segurança das vítimas. “Muitas das situações ocorrem dentro do próprio ambiente familiar, onde conflitos, estresse e a falta de suporte podem gerar episódios de violência. Crianças e adolescentes, por serem mais vulneráveis e dependerem dos adultos para proteção, acabam mais expostos a práticas agressivas que ainda são utilizadas, de forma equivocada, como método de correção ou imposição de autoridade”, explica Grazieli.
Crianças e adolescentes
Os dados apontam que a faixa etária mais atingida pelos casos de agressão é de zero a 12 anos, período considerado fundamental para a formação emocional, social e psicológica. Apesar de a maioria das ocorrências acontecer dentro do próprio lar, o Conselho Tutelar atua de forma cuidadosa para proteger a vítima sem causar rupturas ainda maiores na estrutura familiar.
“O papel do Conselho Tutelar é garantir a proteção da criança e do adolescente, sempre buscando preservar os vínculos familiares quando possível. Nosso trabalho envolve escuta, orientação e acompanhamento, e o afastamento do lar só ocorre em situações extremas, quando não há uma alternativa, explica.
Mudanças no comportamento
A identificação precoce da violência é essencial. Mudanças bruscas de comportamento, medo excessivo, isolamento, queda no rendimento escolar, lesões recorrentes sem explicação consistente, ansiedade e falas indiretas sobre punições severas ou receio de retornar para casa são sinais de alerta que devem ser observados por familiares, vizinhos e profissionais da educação.
“A proteção de crianças e adolescentes não é responsabilidade de um único órgão. Escola, saúde, assistência social e comunidade precisam atuar juntas. Muitas vezes, uma denúncia feita no momento certo evita que a violência continue”, enfatiza a conselheira.
Escolas e unidades de saúde costumam ser as principais portas de entrada das denúncias, enquanto o CRAS e o CREAS recebem os encaminhamentos para trabalhar o fortalecimento de vínculos familiares e a mudança de comportamentos que colocam crianças e adolescentes em risco. “Denunciar é um ato de cuidado e pode mudar o futuro de uma criança”, finaliza Grazieli Sartor.
Canais de denúncia
Casos de violência contra crianças e adolescentes podem ser denunciados de forma anônima e gratuita pelos seguintes canais:
- Disque 100 – Central Nacional de Direitos Humanos (atendimento 24 horas);
- Conselho Tutelar de Morro da Fumaça – atendimento presencial ou por telefone;
- Polícia Militar – pelo 190, em situações de emergência;
- Unidades de Saúde e Escolas, que podem acionar a rede de proteção.