Gabriela Recco / Foto: Pascom
Você sabe como começou a devoção a São Roque em Morro da Fumaça? Nesta semana teve início a programação da 68ª Festa de São Roque e Nossa Senhora da Glória. Entre as atividades, uma caravana percorre as comunidades da Paróquia São Roque com momentos de oração e levando o São Roquinho, a pequena imagem que marcou o início da devoção ao padroeiro em Morro da Fumaça.
A presença do São Roquinho nas comunidades resgata uma antiga história de fé. Esculpida ainda na Itália por Guerino Gabriel, pai de Pedro Gabriel, a imagem foi trazida pelos primeiros imigrantes e tornou-se o primeiro símbolo da devoção a São Roque no município.
O livro “Morro da Fumaça e sua Divina e Humana Comédia”, do padre Claudino Biff, registra que a pequena imagem, com cerca de 30 centímetros de altura, acompanhou os primeiros anos da comunidade. Mansueto Maccari relata que ela foi esculpida por Guerino Gabriel ainda na Itália e trazida para Morro da Fumaça. Já Dona Santa Guglielmin Zanatta recorda que a família Gabriel levou o São Roquinho para a igreja, onde passou a ser venerado pelos fiéis.
Com a chegada de uma nova imagem de São Roque, maior e mais adequada ao templo, o São Roquinho acabou deixando de ocupar lugar de destaque. Com o passar dos anos, a imagem desapareceu da Igreja Matriz. Apesar disso, sua história permaneceu viva na memória da comunidade.
Reencontro
O reencontro aconteceu durante o período em que o padre Orlando Cechinel esteve à frente da Paróquia São Roque. Desde criança, ele se lembrava de ver a pequena imagem sobre um armário na sacristia. Anos depois, ao assumir a paróquia, sentiu falta da imagem e decidiu procurar informações sobre seu paradeiro.
“Eu me lembrava do São Roquinho desde criança. A imagem ficava sobre um armário na sacristia. Anos depois, quando assumi a paróquia, senti falta dela e comecei a procurar. Conversando com moradores, descobrimos que estava no Rio Maina. Quando conseguimos trazer o São Roquinho de volta, foi uma alegria muito grande, porque não era apenas uma imagem que retornava à igreja, mas um pedaço importante da história da nossa comunidade”, relembra o padre Orlando Cechinel.
No dia 19 de setembro de 2007, o São Roquinho retornou à Igreja Matriz de Morro da Fumaça, onde permanece preservado desde então. Recentemente, a imagem foi restaurada por iniciativa do padre Daniel Zilli e voltou a percorrer as comunidades durante a programação da 68ª Festa de São Roque e Nossa Senhora da Glória. “Essa imagem faz parte da história da Paróquia São Roque e da fé dos primeiros moradores de Morro da Fumaça. Restaurá-la e devolvê-la ao convívio da comunidade é valorizar essa caminhada e manter viva uma devoção que passa de geração em geração”, finaliza o padre Daniel.