Texto: Daniela Savi/Agecom Unesc – Foto: Adobe Stock/ Divulgação Unesc
Estudo foi realizado pelo Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e Inovação da Unesc.
Mesmo com avanços na escolaridade e maior presença no mundo do trabalho, as mulheres continuam recebendo menos que os homens no Brasil. A desigualdade salarial persiste como um dos principais desafios para a equidade de gênero e se manifesta de forma significativa tanto no cenário nacional quanto em Santa Catarina e nas regiões do Sul do estado.
Os dados fazem parte do estudo “Diferença Salarial entre Homens e Mulheres: panorama nacional, estadual e regional”, elaborado pelo Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e Inovação da Unesc. A pesquisa analisa indicadores recentes do mundo do trabalho e busca compreender os fatores estruturais que explicam essa disparidade.
No Brasil, em 2024, a remuneração média masculina foi de R$ 3.950,29, enquanto as mulheres receberam, em média, R$ 3.457,72. Na prática, isso significa que para cada R$ 100 pagos aos homens, as mulheres recebem cerca de R$ 87,53, configurando uma diferença salarial de 12,47% no país.
Em Santa Catarina, a desigualdade é ainda mais acentuada. No estado, conforme o estudo, a renda média masculina chegou a R$ 4.146,63, enquanto a feminina ficou em R$ 3.560,44, o que representa uma diferença de 14,14%. Ou seja, as mulheres recebem aproximadamente R$ 85,86 para cada R$ 100 pagos aos homens.
Para a reitora em exercício, Gisele Silveira Coelho Lopes, estudos como este revelam realidades, mas também fortalecem o debate público e ajudam a orientar caminhos para uma sociedade mais justa, com mais oportunidades e reconhecimento para todas as pessoas.
“O Observatório cumpre um papel estratégico ao transformar dados em informação qualificada, capaz de orientar debates e apoiar a tomada de decisões em diferentes áreas. Para a Unesc, produzir estudos como este significa fortalecer a ciência como instrumento de desenvolvimento regional, contribuindo para que possamos compreender melhor nossa realidade e construir caminhos para uma sociedade mais justa, inclusiva e com mais oportunidades para todos”, destaca.
Para a reitora licenciada da Unesc e secretária de Estado da Educação, Luciane Bisognin Ceretta, a produção científica tem papel essencial na compreensão das desigualdades e na construção de caminhos para superá-las. “A Universidade existe para produzir conhecimento, questionar realidades e contribuir com a transformação social. Quando pesquisadores se dedicam a investigar temas como a desigualdade salarial, eles ajudam a esclarecer questões que impactam diretamente a vida das pessoas. A ciência nos permite compreender melhor os desafios do presente e pensar em soluções para um futuro mais justo, no qual homens e mulheres tenham as mesmas oportunidades de desenvolvimento e reconhecimento”, afirma.
Desigualdade também aparece nas regiões do Sul catarinense
O levantamento também analisou dados regionais e identificou que a diferença salarial está presente em diferentes territórios do Sul de Santa Catarina. Na região da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec), por exemplo, as mulheres recebem cerca de R$ 83,02 para cada R$ 100 pagos aos homens, índice inferior à média estadual.
Diferença varia entre setores da economia
A desigualdade salarial também se manifesta de forma diferente entre os setores econômicos. No Brasil, a maior diferença aparece na indústria, setor no qual as mulheres recebem cerca de R$ 73,75 para cada R$ 100 pagos aos homens.
Em setores como informação, comunicação, atividades financeiras e imobiliárias, a remuneração feminina corresponde a aproximadamente R$ 79,40 para cada R$ 100. Já em outros serviços, o valor chega a R$ 93,17, indicando uma diferença menor.
Em alguns casos específicos ocorre o fenômeno inverso. No setor da construção, por exemplo, as mulheres recebem R$ 105,61 para cada R$ 100 pagos aos homens, resultado que pode ser explicado pela menor presença feminina nesse segmento e pela concentração em funções mais qualificadas.
Pesquisa produzida na Unesc
O estudo foi elaborado por pesquisadores do Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e Inovação da Unesc, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).
A equipe responsável pela pesquisa é formada pelos pesquisadores Afonso Valau de Lima Júnior, Igor Martello Olsson e Thiago Rocha Fabris, além de Cleidiane Aparecida de Quadra, Eduardo Tibincoski Fernandes, Jennifer Izamill Sanchez Vasquez, Luiz Gustavo Ismael Hellmann, Marco Felipe Zanchetta Moreno Guidio Biondo, Matheus Marcelino Machado, Maria Eduarda Matos Raphael e William Spricigo.
De acordo com coordenador do Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e Inovação da Unesc, Afonso Valau Junior, os dados indicam que a desigualdade salarial entre homens e mulheres ainda está presente no mercado de trabalho.
“Mesmo com maior escolaridade e participação crescente das mulheres nas atividades profissionais, a diferença de remuneração continua aparecendo em muitas cidades e setores da economia. Isso mostra que ainda existem desafios estruturais importantes para avançar na igualdade de oportunidades. Estudos como esse também abrem espaço para novos aprofundamentos e reflexões, já que a pesquisa é um processo contínuo, que frequentemente levanta novas questões a serem investigadas”, enfatizou.
Além de apresentar os indicadores mais recentes, o estudo busca contribuir para o debate público sobre igualdade de gênero no trabalho, oferecendo subsídios para políticas e iniciativas que promovam maior equilíbrio de oportunidades e remuneração.
Dados que ajudam a entender a desigualdade salarial
- Diferença nacional: mulheres recebem, em média, 12,47% a menos que os homens no Brasil.
- Desigualdade em Santa Catarina: no estado, a diferença chega a 14,14%.
- Cenário regional: na região da Amrec, as mulheres recebem cerca de R$ 83,02 para cada R$ 100 pagos aos homens.
- Escolaridade maior: mesmo com nível médio de escolaridade superior, as mulheres seguem ganhando menos.
Para acessar o estudo clique aqui.